quinta-feira, 25 de maio de 2017

A ASCENSÃO DO SENHOR - Missão de Deus e a Igreja


A ASCENSÃO DE NOSSO SENHOR
O Evangelho segundo São Lucas 24. 44-53

A Missão de Deus e a Igreja

            Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo!

         Perguntar pela “missão” de um grupo, organização ou empresa é mexer com a essência da coisa. Afinal, ao se definir a “missão” de algo, está se respondendo qual é o seu fundamento. Desse modo, quando falamos de “missão” na Igreja, precisamos levantar a seguinte questão: qual é o fundamento e essência que dá sentido para mantermos nossas portas abertas?
         O Evangelho para este dia especial em que celebramos a Ascensão de nosso SENHOR fornece algumas explicações importantes para tratarmos adequadamente a temática “missão”.

         Iniciamos nossa reflexão pelo que é básico: O que é “missão” para a Igreja? Provavelmente, as primeiras respostas para esta questão estariam relacionadas com aquilo que fazemos, por exemplo: entrega de folhetos, abordagens na rua, contato de casa em casa, eventos públicos e populares, ação social, etc. Será que estes exemplos, realmente definem o que é a “missão” na Igreja?
         Antes de mergulharmos no texto, duas coisas precisam ser esclarecidas: 1) todas estas atitudes e exemplos citados são belos, louváveis e de grande valor. E todas estas coisas podem ser incentivas e realizadas, pois, de certa forma, fazem parte da “missão”. 2) No entanto, não podemos definir estas ações como sendo a “missão” para a Igreja; pois, como vimos, “missão” tem a ver com a essência e o fundamento de algo. Portanto, se nós dissermos que a “missão” na Igreja é aquilo que nós estamos desenvolvendo, planejando e realizando, então, precisamos admitir que a essência e o fundamento da Igreja somos nós. Será que é isso?

         Jesus, segundo São Lucas 24.44, diz: “na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos, tudo o que está escrito é sobre mim”; ou seja, o centro das Sagradas Escrituras é Cristo – ele é a essência e o fundamento – inclusive da Igreja, pois esta aceita e reconhece as Escrituras como Palavra de Deus. Sendo assim, “missão” na Igreja está muito mais relacionado com o que Deus fez e faz do que com a gente. De uma forma simples, a “missão” não é nossa, a “missão” é de Deus! Isto significa que a Igreja como tal, não possui uma “missão” própria; na verdade, ela participa, está inserida, e é usada como um instrumento da Missão de Deus.
         Sabendo disso, perguntamos: Afinal, então, que é a Missão de Deus? E a resposta, conforme o Evangelho de hoje é Deus vindo ao encontro do ser humano e lhe “abrindo o entendimento para compreender as Escrituras” (São Lucas 24.45), a fim de que este ser humano seja resgatado pela Obra Redentora de Cristo que “padeceu e ressuscitou dentre os mortos” (São Lucas 24.46) – esta é a Missão de Deus!
         Agora, também podemos perguntar: E a Igreja, e nós, onde ficamos nisso? Em primeiro lugar, precisamos saber e reconhecer que nós somos alvo da Missão de Deus. Pelo poder do Espírito Santo, nosso entendimento é aberto para as Escrituras, para confiarmos na Obra de Cristo. Em outras palavras, a Igreja só é Igreja porque Deus foi missionário para com ela. Por causa disso, agora que fomos chamados, iluminados e congregados pela ação do SENHOR, reconhecemos quão grandiosa é a Missão de Deus, e como ela foi e continua sendo maravilhosa em nossas vidas; nós, como Igreja, pregamos, anunciamos e confessamos “o arrependimento para a remissão dos pecados” (São Lucas 24.47), ou seja, “somos testemunhas” (São Lucas 24.48) da Missão de Deus – testemunhas de um Deus que leva ao arrependimento, através do reconhecimento do pecado e absolve através do seu perdão. Os discípulos de Jesus entenderam isso e mais adiante disseram: “nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos” (Atos dos Apóstolos 4.20).
        
         Com esta perspectiva da Missão de Deus, podemos agora olhar para a nossa Igreja e questionar: nossa Igreja é uma Igreja missionária? Absolutamente sim! Não que ela seja a autora da Missão, mas porque Deus está agindo missionariamente nela e através dela. Como enxergamos isso, na prática? Ali onde Cristo é o centro – a essência e o fundamento – está ocorrendo a Missão de Deus; ali onde o SENHOR está levando pessoas ao arrependimento e efetivamente dando o seu perdão, está acontecendo a Missão de Deus. Visualmente, enxergamos esta Missão de Deus no Batismo, na Confissão e Absolvição, na Proclamação da Palavra e na Ceia do SENHOR. Portanto, enquanto a Igreja possuir como essência e fundamento a Palavra e os Sacramentos – isto é, o próprio Cristo – ela será uma Igreja missionária e terá o que testemunhar, pois a Missão de Deus está acontecendo nela.
         Não temos uma “missão” própria, como às vezes achamos. Mas, temos o privilégio de fazer parte da Missão de Deus, e assim como os discípulos, após a Ascensão do SENHOR, testemunhar esta Missão “com grande júbilo” (São Lucas 44.52). E para isso, podemos usar diversas oportunidades e ferramentas que o SENHOR nos permitir; mas, nunca esquecendo ou deixando em segundo plano o que é essencial e fundamental. Sobre isso, o Dr. Klaus D. Schulz, diz:
O testemunho do cristão está intimamente ligado à sua espiritualidade. Porém, entendam bem, a verdadeira espiritualidade tem o seu início no Batismo. Ali, Deus nos alcança missionariamente, e nos faz nascer de novo. Depois, continuamos sendo alimentados na Palavra e na Ceia do SENHOR. São nestes Meios da Graça que recebemos a Cristo, e dele provém a verdadeira espiritualidade para sermos suas fiéis testemunhas”.
           
Complementando, o Dr. Naomi Mazaki, afirma:
Assim, a Missão de Deus busca reunir pessoas ao redor da Fonte Batismal, do Púlpito e da Mesa com a Ceia do SENHOR. Pois são nestes Meios que efetivamente ocorre arrependimento e perdão dos pecados”.

            Uma última palavra: onde e como a Igreja pode dar o maior e melhor testemunho? O maior e melhor testemunho da Igreja acontece aqui no Altar! Conforme I Coríntios 11.26, todas as vezes que participamos da Ceia do SENHOR, estamos “anunciando – testemunhando – a morte do SENHOR até que ele venha”.
         Igreja Missionária é uma Igreja Testemunha de um Deus missionário – onde a Palavra é pregada puramente, onde pessoas são trazidas ao Batismo, confessam os seus pecados e recebem o perdão; e assim, anunciam esta Missão – a Obra do SENHOR – até que ele venha.
         Isto é Missão de Deus! E nós “louvamos a Deus” (São Lucas 24.53) e o agradecemos por termos o privilégio de testemunharmos em nós e ao nosso redor esta Missão! Deus abençoe o nosso testemunhar!
        
         Amém!


Rev. Helvécio José Batista Júnior
Ministro do SENHOR nas Igrejas Luteranas “Bom Pastor” e Cristo Rei” em Cariacica/ES
No dia da Ascensão de nosso SENHOR, 2017 AD




quarta-feira, 24 de maio de 2017

Comemoração da Rainha Ester - 24 de maio

"Ester", atribuida a Kate Gardiner Hastings (1837-1925)

Ester é a heroína do livro bíblico que recebe seu nome. Seu nome hebraico era Hadassa, cujo significado é “murta”. Sua beleza, charme e coragem lhe foram úteis como rainha do rei Assuero. Nesse papel, ela foi capaz de salvar o seu povo do extermínio em massa que Hamã, principal conselheiro do rei, havia planejado (2.19 – 4.17). As proezas de Ester para expor a trama, resultaram no enforcamento de Hamã na mesma forca que ele havia construído para Mordecai, tio e tutor de Ester. O rei então nomeou Mordecai como ministro de estado no lugar de Hamã. Esta história é um exemplo de como Deus intervém em favor de seu povo para livrá-los do mal, tal como aqui, através de Ester ele preservou o povo do Antigo Testamento, por meio do qual o Messias viria.

ORAÇÃO DO DIA:

Ó Deus, que agraciaste tua serva Rainha Ester, não apenas com beleza e elegância, mas também com fé e sabedoria. Concede-nos, também, poder usar as qualidades que generosamente nos concedeste para a glória do teu poderoso nome e para o bem do teu povo, para que através da tua obra em nós, possamos ser protetores dos oprimidos e defensores dos fracos; através de teu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre.

Fonte: Treasury of Daily Prayer (St. Louis: Concordia Publishing House, 2008. p. 373)

quinta-feira, 18 de maio de 2017

A Cristianização da Finlândia

O artigo abaixo foi escrito em 1955 pelo Rev. John Theodore Mueller (1885–1967) no Concordia Theological Monthly, por ocasião dos 800 anos de cristianização da Finlândia. O Rei Érico IX da Suécia e o bispo inglês Henrique de Upsala figuram como importantes promotores da missão cristã naquele país.

“S.t Erik (den helige) och S.t Henrik (biskop)”, 1911 – por Carl Olof Larsson (1853–1919)
"O Ev.-Luth. Kirchenzeitung (15/05/1955) publicou um pequeno esboço da cristianização da Finlândia. A primeira tentativa de evangelizar aquele país foi feita em 1155, embora muitos achados em sepulturas antigas comprovem que o Evangelho já era conhecido por lá antes desse tempo. Um proeminente promotor da religião cristã na Finlândia foi o rei Érico Jedvardsson da Suécia, embora o verdadeiro santo patrono da Finlândia seja um inglês, chamado Henrique, que sofreu o martírio ao estabelecer a Igreja Cristã naquele território. No entanto, foi apenas de forma gradual que o povo finlandês como um todo aceitou Cristo, e foi só depois do ano 1300 que o cristianismo floresceu entre eles. Mesmo assim, o cristianismo permaneceu relativamente independente de Roma. Quando Gustav Wasa introduziu a Reforma na Suécia, ele também procurou difundir o Evangelho na Finlândia. Seu maior teólogo evangélico foi Mikael Agricola, que estudou em Wittenberg e depois de seu retorno à pátria tornou o finlandês uma linguagem literária. Como bispo de Turku (Äbo), ele contribuiu para que a Bíblia e o Catecismo Menor de Lutero se tornassem os livros mais estudados na Finlândia. Em 1640 estabeleceu-se em Turku uma universidade, cuja faculdade teológica contribuiu decisivamente na difusão dos escritos de Lutero e de outros teólogos luteranos em seu país. O pietismo foi aceito na Finlândia com grande entusiasmo, e está vivo nos muitos movimentos religiosos populares, principalmente entre os leigos, que se tornaram influentes, especialmente no século XIX. Em 1869, o bispo P. L. Schauman reorganizou a igreja luterana na Finlândia e deu-lhe uma nova lei canônica, que ainda é muito apreciada como uma espécie de magna charta religiosa. Apesar de sua influência generalizada, o racionalismo não conseguiu remover do povo finlandês seu profundo amor pela Bíblia e pelo Catecismo de Lutero."
JOHN THEODORE MUELLER

Fonte: Concordia Theological Monthly, Vol. 26, Nº 9, set. 1955. pág. 700.

Comemoração de Érico IX da Suécia, Mártir – 18 de maio


Érico IX Jedvardsson foi governante de grande parte da Suécia de 1150 a 1160. Ele era o chefe de um reino cristão com reinos pagãos nas proximidades, todos compartilhando uma antiga tradição de combate. Por volta de 1155, ele chefiou uma expedição para a Finlândia, até então vagamente sob o domínio sueco, para consolidar a autoridade sueca naquela região e estabelecer uma missão cristã que foi liderada por Henrique de Uppsala, considerado o fundador da Igreja na Finlândia. Érico também é conhecido por propiciar à Suécia leis e tribunais justos e por tomar medidas destinadas a ajudar os pobres e os enfermos. Quando ele estava numa igreja em 18 de maio de 1160, no dia seguinte ao Dia da Ascensão, foi informado de que um exército pagão dinamarquês se aproximava para matá-lo. Ele respondeu: “Vamos, pelo menos, terminar o culto; o restante da festa celebrarei em outro lugar”. Ao sair da igreja, os pagãos avançaram sobre ele e o mataram.
Érico foi honrado como um defensor da fé cristã e como um herói nacional, predecessor de uma longa linhagem de reis suecos. Trinta anos após sua morte, seu nome figurou no calendário santoral sueco.

ORAÇÃO DO DIA:

Ó Deus, que chamaste o teu servo Érico da Suécia para um trono terrestre, para que ele possa fazer avançar o teu reino celestial, e dar-lhe zelo pela tua Igreja e amor pelo teu povo. Misericordiosamente concede que nós que o comemoramos neste dia, , E alcançar a gloriosa coroa de seus santos; Por meio de Jesus Cristo nosso Senhor, que vive e reina convosco e com o Espírito Santo, um só Deus, para todo o sempre.
 
Fonte: James E. Kiefer (Biographical sketches of memorable Christians of the past)

domingo, 14 de maio de 2017

Consolo sublime

Cristo na Cruz com a Virgem e São João (1510) - Albrecht Dürer
Eis diante da cruz Maria, mãe de Jesus. Não está só, afinal. A irmã dela e duas amigas, também chamadas de Maria - a mulher de Cléopas e Madalena -, a amparam, enxugando lágrimas, segurando mãos, acolhendo em abraços o corpo cansado da mãe que vê partir o filho com o coração apertado.
Mas, da cruz, o menino de Maria, a mãe, as contempla. E vê também o amigo, o discípulo amado. Compadece-se do sofrimento materno e, antes do derradeiro suspiro, concede à mãe enlutada um filho para a amparar e ao amigo querido uma mãe para o amar. Consolo sublime na hora mais dura: receber um filho, ganhar uma mãe.


Baseado em João 19.25-27

Fonte: Mãe, Te Amo! São Leopoldo: Ed. Sinodal, 2007. pág. 5.

sábado, 13 de maio de 2017

Deus abençoe as mães

Mother's Love, por Akiane Kramarik (1994 - )


Ó Deus, Pai do céu,
Tem compaixão de nós.
Ó Deus Filho, Redentor do mundo,
Tem compaixão de nós.
Ó Deus Espírito Santo,
Tem compaixão de nós.
Preserva a todas as parturientes e todas as mães com seus filhos, acrescendo felicidade em suas bênçãos;
e tenha piedade de todos nós:
Nós te rogamos: ouve-nos, bom Senhor.

Feliz dia das Mães

Que Deus conceda sempre amor e que sejamos obedientes às nossas mães!
 
In Favour with God / Em graça diante de Deus (Jesus Orando com sua Mãe), by Simon Dewey (1962 - )
“E desceu com eles para Nazaré; e era-lhes submisso.” (Lucas 2.51)

"Nestas palavras o evangelista resume toda a juventude de nosso Senhor Jesus Cristo.

Agora, o que significa: “era-lhes submisso?” Simplesmente isso: cumpriu o quarto mandamento. Fez aquelas tarefas que pai e mãe querem que sejam feitas em casa, ou seja: buscou água, pão e carne; cuidou da casa, e fez outras coisas semelhantes a estas, conforme era mandado, como qualquer outra criança. Eis o que o querido menino Jesus fez.

Por isso, todas as crianças piedosas e que amam a Deus deveriam dizer: Ah! não sou digno dessa honra de ser igual ao menino Jesus, fazendo o que ele, meu Senhor, fazia. Ele ajuntava gravetos e fazia outras coisas que seus pais lhe ordenavam, coisas que aparentemente eram tarefas bem simples e insignificantes, mas que têm que ser feitas em qualquer casa. Puxa vida, que crianças boazinhas não seríamos, se fizéssemos aquilo que nossos pais nos mandam fazer, por mais insignificante e humilde que isso seja.

Cristo é Senhor de tudo. Não obstante, para nosso exemplo, ele se humilha e obedece a pai e mãe. Por isso deveríamos fazer o máximo para aprender bem essa história e ficar felizes quando somos assim obedientes e fazemos nossas tarefas, levando em conta que o próprio Cristo não se aborrecia com tais trabalhos."

- Bem-aventurado Martinho Lutero (1483-1546), doutor e reformador da igreja.