sábado, 3 de dezembro de 2016

Eis que teu rei está vindo a ti!


“O Advento inicia um período de preparação para o Natal, mas também é a porta de entrada para um novo ano da igreja. Este é um tempo litúrgico que pensa no futuro. Certamente é apropriado contemplar Cristo como um Rei do futuro, como nosso Rei que está por vir, e assim trazer-lhe nosso hosanas... Bendita seja sua vinda! Louvado seja por nos visitar diariamente! Bendito o que vem em nome do Senhor! Ele vem hoje, amanhã e até o fim dos tempos. Ele nunca vai virar as costas para nós, enquanto nós vivermos! Ele está sempre diante de nós. Hosana, ele nos torna bem-aventurados nas maiores alturas! Dizei à filha de Sião: ‘Eis que teu rei está vindo a ti!’ Onde a sua Palavra e Sacramentos estão, ali ele está, ali ele visita o seu povo.”

- Wilhelm Löhe (1808-1872), pároco na aldeia alemã de Neuendettelsau durante 35 anos (The Word Remains: Selected Writings on the Church Year and the Christian Life. Emmanuel Press, 2016)

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Santo André, 30/11/2016

Santo André, irmão de Simão Pedro, nasceu no vilarejo de Betsaida da Galileia. Originalmente um discípulo de São João Batista, André depois se tornou o primeiro dos discípulos de Jesus (João 1.35-40). Seu nome aparece regularmente nos Evangelhos próximo ao topo nas listas dos Doze. Foi ele quem apresentou pela primeira vez o seu irmão Simão a Jesus (João 1.41-42). Ele foi, no verdadeiro sentido, o primeiro missionário em sua casa, assim como o primeiro missionário aos estrangeiros (João 12.20-22). A tradição diz que André foi martirizado através da crucificação em uma cruz em forma de X. Em 357 d.C., o seu corpo teria sido levado para a Igreja dos Santos Apóstolos em Constantinopla e, posteriormente, removido para a catedral de Amalfi, na Itália. Séculos depois André se tornou o santo patrono da Escócia. O Dia de São André determina o início do Ano da Igreja Ocidental, já que o primeiro domingo do Advento é sempre no domingo mais próximo ao dia de Santo André.

Cor litúrgica: Vermelha

LEITURAS:

† Antigo Testamento: Ezequiel 3.16-21
† Salmo: Salmo 139.1-12 (antífona v. 17)
† Epístola: Romanos 10.8b-18
† Santo Evangelho: S. João 1.35-42a

ORAÇÃO DO DIA:

Todo-Poderoso Deus, por tua graça, o apóstolo André obedeceu ao chamado de teu Filho para ser um discípulo. Concede-nos também seguir no coração e vida o mesmo Senhor Jesus Cristo, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.



FonteTreasury of Daily Prayer (St. Louis: Concordia Publishing House, 2009. p. 969)

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Dia de Ação de Graças – 24 de novembro de 2016


Nosso povo celebra com ação de graças pela colheita abundante da terra, pelos frutos do trigo e grãos, tudo sob a proteção do onipotente Deus. “O homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor” (Dt 8.1-10). A Igreja é o vaso através do qual a Palavra de Deus penetra o mundo com a sua Lei e Evangelho. É esta Palavra divina que proclama Jesus como a única fonte de vida, saúde e dignidade. É Jesus quem cura os leprosos com sua palavra: “Ide e mostrai-vos aos sacerdotes” (Lc 17.11-19). Dos dez leprosos que foram purificados, apenas um volta para expressar ação de graças a Jesus. A verdadeira gratidão procede de um coração sustentado pela fé. Jesus pede àquele samaritano: “Levanta-te e vai; a tua fé te salvou”. Assim também, somos enviados do Culto Divino, encorajados em nossa fé batismal e bênção eucarística para sermos agradecidos em nossas circunstâncias, tanto de fartura quanto de fome, tanto de abundância quanto de necessidade (Fp 4.6-20).

Cor litúrgica: Branca

LEITURAS:
 
† Deuteronômio 8.1-10
† Salmo 67 (antífona v. 7)
† Filipenses 4.6-20 ou 1 Timóteo 2.1-4
† Lucas 17.11-19

ORAÇÃO DO DIA:
 
Onipotente Deus, nosso Pai celestial, cujas misericórdias se renovam cada manha e que, apesar de não merecermos a tua bondade, provês abundantemente todas as necessidades do corpo e da alma, concede-nos, te rogamos, teu Espírito Santo, para que reconheçamos sinceramente a tua misericordiosa mercê para conosco, demos graça por todos os teus benefícios e te sirvamos com voluntária obediência; mediante Jesus Cristo, teu Filho, nosso Senhor, que vive, e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, pelos séculos sem fim. Amém.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Comemoração de São Clemente de Roma, Pastor – 23 de novembro

Martírio de São Clemente” (1725), Pier Leone Ghezzi (1674-1755)

Clemente (c. 35-100 d. C.) é lembrado por ter estabelecido o modelo de autoridade apostólica que regeu a Igreja cristã durante os séculos I e II. Também insistiu sobre a manutenção de Cristo como núcleo da adoração e do alcance da Igreja. Em uma carta aos cristãos de Corinto, enfatizou a centralidade da morte e ressurreição de Jesus: “Tenhamos os olhos fixos no sangue de Cristo, e compreendamos como é precioso ao seu Pai. Derramado pela nossa salvação, trouxe ao mundo a graça do arrependimento” (1 Clemente 7.4). Antes de sofrer o martírio por afogamento, Clemente manifestou um amor constante, semelhante ao de Cristo, pelo povo redimido de Deus, servindo de inspiração para futuras gerações continuarem a construir a Igreja sobre o fundamento dos profetas e apóstolos, com Cristo como única pedra angular.

ORAÇÃO DO DIA:
Todo-poderoso Deus, teu servo Clemente de Roma, chamou a Igreja de Corinto ao arrependimento e à fé a fim de uni-los no amor de Cristo. Concede que tua Igreja esteja ancorada na tua verdade, pela presença do Espírito Santo e mantida irrepreensível no teu serviço até a vinda de nosso Senhor Jesus, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre.

Fonte: Treasury of Daily Prayer (St. Louis: Concordia Publishing House, 2008. p. 944)

terça-feira, 22 de novembro de 2016

O limite na imitação das virtudes e boas obras

“Santa Cecília e o Anjo”, Simon Vouet (1590–1649)

A Apologia da Confissão de Augsburgo ensina que um dos motivos pelos quais os luteranos lembram  homens santos e mulheres santas que nos antecederam na batalha, é seguir (nachfolgen) seus exemplos. Acertadamente, a Confissão diz que devemos fazer "a imitação, primeiro da fé, em seguida das demais virtudes, as quais cada qual deve imitar de acordo com a sua vocação" (AC XXI). É importante considerar que ao imitar a virtude de alguém, devemos fazê-lo, cada qual, "de acordo com a sua vocação".

Isso significa dizer, popularmente, que não temos "vocação" (aptidão) para algumas virtudes. Mas o sentido de vocação que a Apologia traz, expresso pela palavra Beruf (chamado, vocação, etc.), é de que somos chamados por Deus para aquilo que somos e fazemos na vida. No entanto, ao tentarmos viver aquilo que extrapola nosso chamado ou imitar aquilo está além da nossa capacidade, estaremos fadados a uma “falsificação” de nós mesmos. Lutero já criticava aqueles que “se tornaram macaqueadores dos santos e imitam a aparência externa sem a Palavra e a fé” (Preleções acerca de Gênesis). “Aos olhos de Deus este princípio permanece firme e inabalável: todos os santos vivem pelo mesmo Espírito e pela mesma fé e são guiados e dirigidos pelo mesmo Espírito e pela mesma fé, mas exteriormente, todos fazem trabalhos diferentes.” (Juízo sobre os votos monásticos).

O teólogo sueco Gustaf Wingren escreveu que “vocação aponta um mundo que não é o mesmo para todas as pessoas” (A vocação segundo Lutero, p. 184). É o que Lutero também aborda neste trecho extraído de um sermão de Epifania da sua Postila da Igreja, em relação a casar-se ou manter-se solteiro e, nesta matéria, seguir o exemplo de Santa Cecília (lembrada hoje), não é para a maioria das pessoas:
“Amado rapaz, não fique de todo envergonhado que você deseja uma menina, ou que uma menina almeja por um menino, mas cuide para que isto leve ao casamento, e não à fornicação. Não tem nada de vergonhoso nisso – tanto quanto comer e beber fosse uma vergonha. Supostamente, o celibato é uma virtude, porém é um genuíno milagre de Deus, tal como como se uma pessoa não comesse ou bebesse. Ele está além da capacidade de uma pessoa saudável, para não falar da incapacidade da natureza humana pecaminosa e depravada. Não houveram muitas virgens às quais Deus concedeu vida longa; mais que apressadamente as levou deste mundo, tal como Cecília, Inês, Lucia, Ágata, e outros como elas. Eu sei muitíssimo bem o quão nobre é este tesouro, mas também o quão difícil é preservar durante algum tempo.”
No escrito Da Vida Matrimonial, Lutero adverte que “ninguém deverá encetar por esse caminho por conta própria, senão unicamente por chamado especial de Deus, como Jeremias, ou quando sente a graça de Deus tão forte dentro de si que a palavra “crescei e multiplicai­ vos” não lhe diz respeito. [...]Para encerrar: quem não se considera apto para a castidade não demore em procurar uma ocupação e uma atividade; depois, em nome de Deus, assuma o risco e case.”

Dedicar-se à oração

 
“Santa Cecília” (1895), John William Waterhouse (1849–1917)
“Visto que estamos em meio a inimigos e somos continuamente atraídos por inúmeras seduções, embaraçados por inquietações e ocupados em negócios, através dos quais todos nós somos afastados da pureza de coração, só nos resta, portanto, uma coisa: exortar-nos com todo zelo e, por assim dizer, remexer o nosso espírito mole por meio da Palavra de Deus, meditando nela, lendo-a e ouvindo-a continuamente, como o apóstolo adverte aqui [Hb 3.13]. Exatamente como lemos sobre Santa Cecília que "sempre trazia o Evangelho de Cristo no seu coração e dedicava-se dia e noite à oração e às conversas com Deus." [Jacopo de Voragine, Legenda aurea, n. 164] Se isso não acontecer, certamente seremos ao final tragados pela enorme quantidade dessas coisas, e a preguiça e fraqueza de espírito, o maior de todos os perigos, podem nos dominar.”

-- Bem-aventurado Martinho Lutero (1483-1546), doutor e reformador da igreja (Preleções sobre a Epístola aos Hebreus, LW 29,109-241)

Lutero sobre o exemplo de Santa Cecília

"Santa Cecilia de Roma" (1824), François-Joseph Navez (1787–1869)

"Usar roupas decentes e procurar sustento honesto é necessidade e não pecado. Uma criança deveria lamentar em seu coração o fato de que não se consegue começar ou conduzir bem esta vida miserável sobre a terra a menos que se usem mais roupa e bens que o necessário para cobrir o corpo, defender-se do frio e obter o sustento, vendo-se, portanto, obrigada, contra a sua vontade, por consideração ao mundo, a acompanhar estas tolices e suportar semelhante mal, por causa de algo melhor, para evitar coisa pior. [...] O coração que tem esta atitude porta joias sem qualquer perigo, pois as usa sem usá-las, dança sem dançar, vive bem sem viver bem. Estas são as almas secretas, as noivas ocultas de Cristo. No entanto, elas são muito raras, pois é difícil não ter prazer em meio a grande ornamento e ostentação. Assim Santa Cecília usava vestes de ouro por ordem de seus pais, por dentro, porém, sobre o corpo, usava blusa de cerda."

- Bem-aventurado Martinho Lutero (1483-1546), doutor e reformador da igreja, em Das Boas Obras (Obras Selecionadas de Lutero, volume 2, p. 148)