30/11/2014

Primeiro Domingo no Advento – 30 de novembro de 2014 (Ano B)

“Entrada em Jerusalém” (1497-1500), autor anônimo (Gdańsk) - National Museum in Warsaw (MNW)
O Senhor Jesus vem em mansidão e humildade para nos salvar

Muitas vezes oramos a Deus: “Oh! Se fendesses os céus e descesses!” (Is 64.1). E apesar de pedirmos para que Ele se vingue contra os nossos inimigos, “todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia” (Is 64.6). “Pecamos; por muito tempo temos pecado e havemos de ser salvos?“ (Is 64.5). No entanto, o Senhor não nos castiga com raiva. Ele vem em voluntária mansidão e humildade para nos salvar através da sua graça. Assim como Ele uma vez entrou em Jerusalém para sacrificar-se por nós na cruz (Mc 11.4-8), Ele continua vindo à sua Igreja com os frutos de sua Paixão. Através de seu ministério do Evangelho, somos "enriquecidos nele, em toda palavra e em todo o conhecimento", e assim ele nos "confirmará até o fim" (1 Co 1.5, 8). “Passará o céu e a terra”, mas as palavras do Senhor “não passarão” (Mc 13.31). Assim como Ele envia os discípulos para nos chamar para junto dele na comunhão da sua Igreja, assim também Ele "enviará os anjos" para reunir a nós e todos os seus eleitos "da extremidade da terra até à extremidade do céu" para viver eternamente junto com Ele no céu (Mc 13.27).

Cor litúrgica: Roxo ou Azul

LEITURAS:

† Antigo Testamento: Isaías 64.1-9
† Salmo: Salmo 80.1-7 (antífona v. 7)
† Epístola: 1 Coríntios 1.3-9
† Santo Evangelho: S. Marcos 11.1-10 ou Marcos 13.24-37


ORAÇÃO DO DIA:

Senhor Jesus, pedimos que venhas com o teu poder para que sejamos libertados dos nossos pecados, que ameaçam nos separar de ti, e salvos por tua poderosa libertação, pois tu vives e reinas com o Pai e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

29/11/2014

29 de novembro - Comemoração do Santo Patriarca Noé


Enquanto durar a terra, não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, dia e noite. (Gênesis 8.22)

Comemoração do Justo Noé – 29 de novembro


Noé, filho de Lameque (Gn 5.30), foi instruído por Deus a construir uma arca, na sua família iria encontrar proteção das águas destrutivas de um dilúvio devastador que Deus advertiu que viria. Noé construiu a arca e as chuvas desceram. A terra inteira foi inundada destruindo “toda substância que havia sobre a face da terra, desde o homem até ao animal” (Gn 7.23). Depois que as águas do dilúvio baixaram, a arca repousou sobre o monte Ararate. Quando Noé certificou que estavam seguros, e Deus confirmou isso, ele e sua família e todos os animais desembarcaram. Depois Noé construiu um altar e ofereceu um sacrifício de ação de graças a Deus por ter salvado sua família da destruição. Um arco-íris no céu foi declarado por Deus para ser um sinal de sua promessa de que nunca mais um dilúvio semelhante destruiria a terra inteira (Gn 8.20-22; 9.8-17). Noé é lembrado e homenageado por sua obediência, crendo que Deus faria o que disse que faria.

LEITURAS:

† Salmo 29
† Gênesis 7.1-5, 11-12, 17-23
† 1 Pedro 3.18-22
† São Mateus 24.36-44


ORAÇÃO DO DIA:

Todo-poderoso e eterno Deus, de acordo com teu estrito juízo tu condenaste o mundo descrente através do dilúvio, ainda conforme a tua grande misericórdia tu preservaste o crente Noé e sua família, oito almas ao todo. Concede que sejamos mantidos seguros e protegidos na santa arca da Igreja Cristã, a fim de que, com todos os crentes em tua promessa, sejamos declarados dignos da vida eterna, através de Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.


Fonte: Treasury of Daily Prayer (St. Louis: Concordia Publishing House, 2008. p. 965-966)

27/11/2014

A Oração da Mesa



Vem, Senhor Jesus, sê o nosso convidado,
e tudo que nos dás, nos seja abençoado.

Komm, Herr Jesu; sei unser Gast;
und segne, was du uns bescheret hast.


Come, Lord Jesus, be our Guest;
And bless what you have bestowed.

Oração para o Dia de Ação de Graças

“Expectativa”, Charles Burton Barber (1845–1894)
Onipotente Deus, nosso Pai celestial, tuas misericórdias se renovam cada manhã e, apesar de não merecermos a tua bondade, provês graciosamente todas as necessidades do corpo e da alma. Concede-nos, te rogamos, teu Espírito Santo, para que reconheçamos sinceramente a tua misericordiosa mercê para conosco, demos graça por todos os teus benefícios e te sirvamos com voluntária obediência; mediante Jesus Cristo, teu Filho, nosso Senhor, que vive, e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, pelos séculos sem fim. Amém.

Evangelho do Dia de Ação de Graças

“Jesus cura o leproso” (1864), Jean-Marie Melchior Doze (1827 – 1913)
Evangelho segundo S. Lucas 17.11-19

11   De caminho para Jerusalém, passava Jesus pelo meio de Samaria e da Galileia.
12   Ao entrar numa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez leprosos,
13   que ficaram de longe e lhe gritaram, dizendo: Jesus, Mestre, compadece-te de nós!
14   Ao vê-los, disse-lhes Jesus: Ide e mostrai-vos aos sacerdotes. Aconteceu que, indo eles, foram purificados.
15   Um dos dez, vendo que fora curado, voltou, dando glória a Deus em alta voz,
16   e prostrou-se com o rosto em terra aos pés de Jesus, agradecendo-lhe; e este era samaritano.
17   Então, Jesus lhe perguntou: Não eram dez os que foram curados? Onde estão os nove?
18   Não houve, porventura, quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro?
19   E disse-lhe: Levanta-te e vai; a tua fé te salvou.

- Bíblia Sagrada J. F. de Almeida Revista e Atualizada (SBB)

Dia de Ação de Graças – 27 de novembro de 2014

“De joelhos em oração”, John Absolon (1815 –1895)
 Louvamos a Deus por sustentar a vida em e através de sua Palavra

A nação festeja com ação de graças pela abundante colheita da Terra, pelos frutos do trigo e grãos, tudo sob o amparo do cuidado onipotente de Deus. No entanto, "não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do SENHOR" (Dt. 8.3). A Igreja é o instrumento pelo qual a Palavra de Deus penetra o mundo com sua Lei e Evangelho. É esta Palavra divina que proclama Jesus como a única fonte de vida, saúde e integridade. É Jesus que cura os leprosos com a sua Palavra: "Ide e mostrai-vos aos sacerdotes” (Lc 17.11-19). Dos dez leprosos purificados, apenas um expressa gratidão a Jesus. E a verdadeira gratidão procede de um coração sustentado pela fé. Jesus ordena àquele samaritano que ficou curado: “Levanta-te e vai; a tua fé te salvou”. Assim também nós somos enviados do Culto Divino, animados pela bênção batismal e eucarística, para sermos agradecidos em nossas circunstâncias de fartura e fome, abundância e necessidade (Fp 4.6-20).

Cor litúrgica: Branca

LEITURAS:

† Antigo Testamento: Deuteronômio 8.1-10
† Salmo: Salmo 67 (antífona v. 7)
† Epístola: Filipenses 4.6-20 ou 1 Timóteo 2.1-4
† Santo Evangelho: S. Lucas.11-19


ORAÇÃO DO DIA:

Onipotente Deus, nosso Pai celestial, tuas misericórdias se renovam cada manhã e, apesar de não merecermos a tua bondade, provês graciosamente todas as necessidades do corpo e da alma. Concede-nos, te rogamos, teu Espírito Santo, para que reconheçamos sinceramente a tua misericordiosa mercê para conosco, demos graça por todos os teus benefícios e te sirvamos com voluntária obediência; mediante Jesus Cristo, teu Filho, nosso Senhor, que vive, e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, pelos séculos sem fim. Amém.

26/11/2014

Onde está restaurada a alma, aí também está auxiliado o corpo



Há de se considerar o sacramento como medicina inteiramente salutar e consoladora, que te ajuda e te dá a vida, tanto na alma quanto no corpo. Porque onde está restaurada a alma, aí também está auxiliado o corpo.

-- Bem-aventurado Martinho Lutero (1483-1546), doutor e reformador da igreja (Catecismo Maior, Do Sacramento do Altar)

25/11/2014

Comemoração de Santa Catarina de Alexandria, Virgem e Mártir - 25 de novembro

“Santa Catarina de Alexandria” (de 1650 a 1655), Bartolomé Esteban Murillo (1617–1682)
Catarina era filha do Rei Costus e da Rainha Sabinela, de Alexandria, no Egito. Viveu no início do século IV e se destacava por sua grande beleza e intelectualidade. Ao ver como os cristãos estavam sendo torturados, ela censurou o imperador Maximino por sua crueldade, e com razões convincentes demonstrou a necessidade da fé cristã, a fim de ser salvo. Maximino convocou retóricos e filósofos para tornar Catarina descrente, mas diante do testemunho da jovem todos eles foram convertidos ao cristianismo, sendo tomados com um tal amor por Jesus Cristo, que se declararam dispostos a oferecer suas vidas por causa do Evangelho. Maximino ordenou executá-los  imediatamente. O imperador tentou então conquistar Catarina com lisonja e promessas, com o intuito de torná-la sua imperatriz, mas seus esforços foram igualmente infrutíferos.Catarina resistiu ao afago e a brutalidade do imperador. Derrotado em seus intentos o imperador decretou a prisão de Catarina, ordenando então que a jovem fosse dilacerada por uma roda munida de lâminas cortantes e ferros pontiagudos. Esta roda, porém, despedaçou-se ficando a serva de Cristo preservada do suplício. Após várias torturas, Catarina foi enfim decapitada em 25 de novembro de 305, oferecendo sua própria vida pela fé cristã.

ORAÇÃO DO DIA:

Ó Deus, que entre as múltiplas obras de teu poder tens concedido mesmo na fraqueza das mulheres força para conquistar a vitória do martírio. Concede misericordiosamente que nós que comemoramos a bem-aventurada Catarina, tua virgem e mártir, possamos pelo seu exemplo estar próximos de ti; através de Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, pelos séculos dos séculos. Amém. (LANG, Paul H. D. Ceremony and Celebration. Saint Louis: Concordia Publishing House, 1965. p. 179-180.)

23/11/2014

Evangelho Dominical – Último Domingo do Ano da Igreja (Próprio 29 – Ano A)

Mosaico do séc. VI em Ravena, ilustrando o Júizo Final.

Evangelho segundo S. Mateus 25.31-46

31 Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória;
32 e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas;
33 e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda;
34 então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.
35 Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes;
36 estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me.
37 Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber?
38 E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos?
39 E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar?
40 O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.
41 Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos.
42 Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber;
43 sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não fostes ver-me.
44 E eles lhe perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso e não te assistimos?
45 Então, lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer.
46 E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna.

- Bíblia Sagrada J. F. de Almeida Revista e Atualizada (SBB)

Último Domingo do Ano da Igreja – 23 de novembro de 2014 (Próprio 29 – Ano A)

“Juízo Final”, Bartholomeus Spranger (1546 – 1611)
Através da Cruz de Cristo entramos no reino de nosso Deus e Pai

Quando o Senhor Jesus crucificado e ressuscitado vier para julgar os vivos e os mortos, "ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas" (Mt 25.32). "Aos que estiverem à sua direita", que foram crucificados e ressuscitados com Ele através do arrependimento e fé em seu Evangelho, Ele concederá o bendito Reino de seu Pai (Mt 25.34). Tendo sido justificados pela sua graça, eles viveram para a justiça em Deus (Mt 25.35-40.). Mas "aos que estiverem à sua esquerda", que confiaram em si mesmos e desprezaram seu próximo, serão apartados "para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos" (Mt 25.41). Até aquele dia, o Senhor procura por suas ovelhas, “como o pastor busca o seu rebanho" (Ez 34.11-12). Através de sua pregação de arrependimento, Ele disciplina cabritos e ovelhas soberbas, “a gorda e a forte", mas através da pregação do perdão Ele alimenta a "ovelha magra", resgata a perdida, cura a ferida e fortalece a enferma (Ez 34.16, 20). Desta forma nosso Senhor destrói o poder da morte nos filhos de Adão através da sua cruz, de modo que "todos serão vivificados em Cristo" através de sua ressurreição (1 Co 15.20-26).

Cor litúrgica: Verde

LEITURAS:

† Antigo Testamento: Ezequiel 34.11-16, 20-24
† Salmo: Salmo 95.1-7a (antífona v. 7a)
† Epístola: 1 Coríntios 15.20-28
† Santo Evangelho: S. Mateus 25.31-46

ORAÇÃO DO DIA:

Eterno Deus, misericordioso Pai, que escolheste teu Filho como juiz dos vivos e dos mortos, capacita-nos a esperar pelo dia da sua volta com nossos olhos fixos no Reino preparado por ti mesmo desde a fundação do mundo; através de Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

22/11/2014

Comemoração de Santa Cecília, Mártir – 22 de novembro

“Santa Cecília” (1606), Guido Reni (1575-1642)

Santa Cecília tem seu nome ligado à música sacra devido a um relato de que cantava a Deus na ocasião de seu martírio. Por muito tempo se supôs que Cecília teria sido uma senhora nobre de Roma que, com seu marido Valeriano, seu irmão Tibúrcio, e um soldado romano chamado Máximo, sofreu o martírio, c. 230, sob o imperador Alexandre Severo. A pesquisa de Giovanni Battista de Rossi, no entanto, parece confirmar a afirmação do bispo de Poitiers, Venâncio Fortunato (c. 530-c. 600/609), de que ela tenha sido martirizada entre 176 e 180, na Sicília, sob o imperador Marco Aurélio. Cecília fora dada em casamento, contra a sua vontade, a um jovem pagão chamado Valeriano. Através do testemunho dela, seu marido converteu-se e recebeu o batismo. Valeriano, por sua vez, trouxe o irmão Tibúrcio à fé cristã. Turcius Almachius, prefeito de Roma, tomou conhecimento da conversão do dois irmãos e citou-os perante o tribunal, exigindo que abandonassem a fé cristã. Diante da recusa, foram condenados à morte e decapitados. Os oficiais do prefeito tentaram matar Cecília com água fervente. No entanto, a tentativa falhou e ela foi decapitada.

LEITURAS:

† Salmo 150
† Apocalipse 15.1-4
† S. Lucas 10.38-42


ORAÇÃO DO DIA:


Gracioso Deus, tua bem-aventurada mártir Cecília cantou em seu coração para fortalecimento do testemunho a ti. Nós te damos graças pelos músicos que tens dotados com a chama do Pentecostes e oramos para que possamos nos unir com eles no cântico de louvor da criação até que, ao fim possamos, com Cecília e todos os teus santos, participar do cântico dos redimidos pelo nosso Salvador Jesus Cristo; que contigo e o Espírito Santo vive e reina, um só Deus, na glória eterna. Amém.

19/11/2014

Isabel da Hungria, Lutero e Catarina e a Caridade Cristã

Santa Isabel da Hungria
 Nossos irmãos do Sínodo Missouri são ricamente agraciados com um livro devocional chamado Treasury of Daily Prayer (Tesouro de Oração Diário). O nome diz tudo. São preciosas meditações e orações para todos os dias, organizadas de acordo com o calendário litúrgico e que auxiliam os cristãos a orar sem cessar. Nas palavras do Prof. John T. Pless (Concordia Theological Seminary, Fort Wayn, EUA), este é um livro que leva a sério a compreensão de Lutero do Catecismo como um texto para ser rezado, sendo um testemunho literário da vitalidade espiritual do luteranismo confessional e ortodoxo. O Rev. Dr. R. Reed Lessing (Concordia Seminary, St. Louis, EUA) recomenda o Treasury para aquele que “deseja ser como o salmista, que medita na palavra de Deus de dia e de noite (Sl 1.2) de modo de que sua vida seja marcada pelo fruto duradouro do Espírito (Sl 1.3)”.

Muitas das publicações que postamos aqui têm sua fonte no Treasury, especialmente aquelas relativas à comemoração dos santos da igreja, que fazem parte da grande nuvem de testemunhas que nos rodeia (Hb 12.1). Desta forma e no espírito da Confessio Augustana, nos lembramos em nossas devoções diárias destes santos “para fortalecer a nossa fé ao vermos como receberam graça e foram ajudados pela fé; e, além disso, a fim de que tomemos exemplo de suas boas obras, cada qual de acordo com sua vocação” (CA XIV).

Para hoje, dia de Santa Isabel, o Treasury oferece uma bela oração, pedindo a Deus: “Poderoso Rei, cuja herança não é deste mundo, incute em nós a humildade e a benevolente caridade de Isabel da Hungria” (p. 929). Isabel é uma luz brilhante para o povo de Deus, apontando o caminho para acolhermos cada pessoa como sendo o próprio Cristo, e cada necessidade e sofrimento como sendo do próprio Cristo.

O Treasury ainda traz um trecho do comentário do Dr. Lutero sobre Gênesis 18.5: “… o próprio Deus está em nossa casa, está sendo alimentado em nossa casa, está deitado e descansando, todas as vezes que algum irmão piedoso no exílio por causa do Evangelho vem à nós e é recebido com hospitalidade por nós. Isso é chamado de amor fraternal ou caridade cristã. […] Se alguém crê sinceramente que está recebendo o próprio Senhor quando recebe um irmão pobre, não haveria necessidade de tais exortações ansiosas, zelosas e solícitas para fazer obras de amor. Nosso cofre, despensa e compaixão seriam abertos de uma vez em benefício dos irmãos. Não haveria nenhuma má vontade e juntamente com o piedoso Abraão correríamos ao encontro das pessoas miseráveis, as convidaríamos para entrar em nossas casas, apoderaríamos desta honra e distinção antes dos outros e diríamos: ‘Ó Senhor Jesus, vinde a mim. Desfruta meu pão, vinho, prata e ouro. Como isto está sendo bem investido por mim quando invisto em Ti!’ ” (pág. 928)

O que Lutero escreve aqui captura muito bem o espírito de Santa Isabel e também o que ele e sua esposa Catarina viveram. Eles sempre tiveram hóspedes à mesa: pastores que buscavam asilo, estudantes universitários, simpatizantes, amigos e afins. Coincidentemente, Santa Isabel e a família de Lutero ocuparam, em épocas distintas, a mesa casa, como célebres moradores do Castelo de Wartburgo. Ali Lutero recebia seus hóspedes assim como na Regra de São Bento, em que um monge quando recebia um estranho à porta, devia prostrar-se na frente do hóspede, pois Cristo é recebido na pessoa dele: "Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes" (Mt 25.35). As pessoas e discussões à mesa de Lutero eram tantas que os convidados tomaram notas do que finalmente veio a se tornar a volumosa coletânea de "Conversas à Mesa" (Tischreden, em alemão). Lutero tinha pouco senso de dinheiro e era desapegado. Lamentavelmente, após a sua morte, Catarina não tinha muito para viver.

Neste dia nos lembramos de Santa Isabel, e também de Martinho Lutero e sua esposa Catarina, como cristãos fiéis que acolheram em hospitalidade os peregrinos e damos graça a Deus que nos acolheu por intermédio de Nosso Senhor Jesus Cristo e nos tornou herdeiros de seu reino celestial.

Comemoração de Santa Isabel da Hungria – 19 de novembro

“Santa Izabel da Hungria cuidando dos doentes” (c. 1671-74), Bartolomé Esteban Murillo (1617-1682)

Nascida em Pressburgo, Hungria, no ano de 1207, Isabel era filha do rei André II e sua esposa Gertrudes. Dada como noiva num casamento político arranjado, Isabel se tornou esposa de Ludovico da Turíngia, na Alemanha, aos 14 anos de idade. Ela tinha um espírito de generosidade e caridade cristã e a casa que ela estabeleceu para o marido e os três filhos no Castelo de Wartburg em Eisenach era conhecida pela hospitalidade e amor familiar. Isabel supervisionava frequentemente o cuidado dos doentes e necessitados e chegou a dar sua cama para um leproso certa vez. Viúva aos 20 anos, ela deixou provisões para seus filhos e levou uma vida austera como freira da Ordem de São Francisco. Seu desprendimento a levou a uma debilitante saúde e à morte precoce em 1231 com a idade de 24 anos. Lembrada por seu modo abnegado, Isabel é comemorada pelos inúmeros hospitais em todo o mundo que levam seu nome.

LEITURAS:

† Salmo 109.20-25
† Tobias 12.6b-9
† 2 Coríntios 8.7-15
† São Lucas 6.35-38


ORAÇÃO DO DIA:

Poderoso Rei, cuja herança não é deste mundo, incute em nós a humildade e a benevolente caridade de Isabel da Hungria. Ela rejeitou sua adornada coroa ao contemplar aquela de espinhos que seu Salvador usou por amor dela e nosso, para que nós também possamos viver uma vida de sacrifício, agradável a teus olhos e digna do nome de teu Filho, Jesus Cristo, que com o Espírito Santo reina contigo para sempre no reino eterno. Amém.

Fonte: Treasury of Daily Prayer (Concordia Publishing House,2008. p. 929)

16/11/2014

Evangelho Dominical – Vigésimo Terceiro Domingo após Pentecostes (Próprio 28 – Ano A)

“A Parábola dos Talentos”, John Morgan (1822 – 1885)

Evangelho segundo S. Mateus 25.14-30

14 Pois será como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens.
15 A um deu cinco talentos, a outro, dois e a outro, um, a cada um segundo a sua própria capacidade; e, então, partiu.
16 O que recebera cinco talentos saiu imediatamente a negociar com eles e ganhou outros cinco.
17 Do mesmo modo, o que recebera dois ganhou outros dois.
18 Mas o que recebera um, saindo, abriu uma cova e escondeu o dinheiro do seu senhor.
19 Depois de muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles.
20 Então, aproximando-se o que recebera cinco talentos, entregou outros cinco, dizendo: Senhor, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei.
21 Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.
22 E, aproximando-se também o que recebera dois talentos, disse: Senhor, dois talentos me confiaste; aqui tens outros dois que ganhei.
23 Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.
24 Chegando, por fim, o que recebera um talento, disse: Senhor, sabendo que és homem severo, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste,
25 receoso, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu.
26 Respondeu-lhe, porém, o senhor: Servo mau e negligente, sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei?
27 Cumpria, portanto, que entregasses o meu dinheiro aos banqueiros, e eu, ao voltar, receberia com juros o que é meu.
28 Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem dez.
29 Porque a todo o que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.
30 E o servo inútil, lançai-o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes.

- Bíblia Sagrada J. F. de Almeida Revista e Atualizada (SBB)

15/11/2014

Vigésimo Terceiro Domingo após Pentecostes – 16 de novembro de 2014 (Próprio 28 – Ano A)

“Cristo chorando sobre Jerusalém” (1851), Ary Scheffer (1795–1858)
O dom do perdão de Deus produz nosso perdão aos outros

O Dia do Senhor "está perto, e se apressa muito" e será um "dia de tribulação e de angústia, dia de alvoroço e de assolação" (Sf 1.14, 15). O Senhor esquadrinhará e castigará os homens "que dizem no seu coração: o Senhor não faz bem nem faz mal" e aqueles "que enchem o templo do seu Deus com riquezas arrancadas pela fraude e pela violência" (Sf 1.9, 12). Por isso todas as suas obras e esforços serão em vão, pois "edificarão casas, mas não habitarão nelas, e plantarão vinhas, mas não lhes beberão o seu vinho" (Sf 1.13). Mas aqueles que temem, amam e confiam no Senhor é "servo bom e fiel" dos bens do Senhor (Mt 25.21). Eles vivem pela fé no dom gratuito do perdão divino, multiplicam os bens do Senhor em perdão amoroso ao próximo e "o senhor daqueles servos" ajusta suas contas com eles através do gracioso acerto de seu Evangelho (Mt 25.19). Do mesmo modo, "Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Ts 5.9). Portanto, vamos nos revestir "da couraça da fé e do amor" em nossas relações uns com os outros (1 Ts 5.8).

Cor litúrgica: Verde

LEITURAS:

† Antigo Testamento: Sofonias 1.7-16
† Salmo: Salmo 90.1-12 (antífona v. 17)
† Epístola: 1 Tessalonicenses 5.1-15
† Santo Evangelho: S. Mateus 25.14-30


ORAÇÃO DO DIA:

Deus Todo-poderoso e sempre vivo, que fizeste promessas extraordinariamente grandes e preciosas àqueles que confiam em ti, afasta de nós as obras das trevas e concede-nos viver na luz de tu Filho Jesus Cristo, a fim de que nossa fé nunca esteja ausente; através do mesmo Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

Homilia: Vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora

Compartilho o estudo homilético e sermão pregado pelo amigo Rev. Elissandro Silva, na Igreja Luterana Santíssima Trindade de Curitiba/PR, no último dia 09 de novembro de 2014.


Vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora
Sl 70, Amós 5.18-24; I Ts 4.13-18; Mt 25.1-13

CONTEXTO LITÚRGICO:

Jesus, O Senhor da Igreja, concedeu a sua Santa Igreja a oportunidade chegar ao final de mais um ano eclesiástico. O atual domingo, 27º próprio, é e pode ser intitulado como o "Antepenúltimo Domingo do Ano Eclesiástico".
Nestes três domingos finais ocorrem uma mudança de temática ganhando um tom escatológico. No final do ano eclesiástico nada mais adequado do que falar ou nos preparar par este momento. Segundo Dr Arthur Just, o dia de Todos os Santos é a ponto de transição entre o ano da Igreja, período pós-pentecostes, e o tom escatológico dos últimos domingos do ano da Igreja.[1]


ESTUDOS DOS PRÓPRIOS DO DIA:
 
Leituras:

Salmo 70: O Salmo 70.1 é conhecido por todo aquele que já em algum momento cantou ou recitou as belas palavras da ordem das Matinas ou das Vésperas. Em todos os tempos é adequado clamar pelo socorro de Deus, mas fica ainda mais adequado quando se reflete na consumação dos tempos. Dentro desta linha, suplica por auxílio, o quinto verso fecha com chave de ouro o Salmo e pode ser o trilho que conduz os pensamentos e mentes enquanto se reflete sobre o fim dos tempos: “Eu sou pobre e necessitado; ó Deus, apressa-te em valer-me, pois tu és o meu amparo e o meu libertador. SENHOR, não te detenhas!” Este pedido de socorro é bem expresso nas linhas finais de Apocalipse: “Ora, vem, Senhor Jesus!” (Ap 22.20).

Amós 5.18-24: A pregação de Amós ocorreu diante de uma nação próspera. Devido as “questões políticas e econômicas” que ocorriam no de redor Samaria, capital do Reino do Norte, estava rica e próspera, no entanto o fruto disto não era partilhado com o povo, muito pelo contrário, ficava restrito nas mãos de poucos.
A ampla prosperidade lhes deu segurança e confiança que tudo estava indo muito bem. Prestavam cultos ao Deus verdadeiro, mas não se afastavam de Deuses falsos, da idolatria. Havia grande injustiça, corrupção no juízo. A religião estava amplamente divorciada da conduta, no culto as coisas iam bem, exteriormente seguiam as regras.  Com este ar de segurança desejavam o Dia do Senhor, como se fosse um dia de maravilhas que Deus os faria.
Diante deste quadro, Amós prega que o Dia do Senhor, especialmente no contexto que eles viviam, será de julgamento. O dia do Senhor é tanto Lei, como Evangelho, tudo vai depender se está a “direita” ou a “esquerda”.[2]
O versículo 8b fala sobre o dia do Senhor como dia de trevas: “Ai de vós que desejais o Dia do SENHOR! Para que desejais vós o Dia do SENHOR? É dia de trevas e não de luz.” Dia de trevas e não de luz.
Outro ponto que pode ser destacado é sobre a questão das trevas. Podemos comparar as trevas como descrita pelo profeta Amós e as trevas da Sexta-feira Santa. A escuridão que Amós saliente é o julgamento. As trevas da Sexta-Feira apontam o próprio Deus que se fez carne, fonte de toda vida, morrendo para dar a vida eterna.

I Tessalonicenses 4.13-18: O Apóstolo Paulo fala sobre os cristãos que morreram no Senhor, pois, eles precederam os que estiverem vivos, sendo os primeiros a experimentarem a ressurreição no dia do SENHOR. É interessante observar que o Apóstolo Paulo define a morte do cristão como um dormir. E nos deixa uma mensagem importante, pois, sinaliza quais devem ser as palavras diante da morte: “Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras.

Mateus 25.1-13: Não é a primeira vez que Cristo fala em dois grupos dentro de seus seguidores. Na parábola do trigo e do joio encontra-se essa dualidade. No relato da história do fariseu e o publicano estes dois grupos são bem representados nestes dois personagens. Na parábola das dez virgens também pode-se observar estes dois grupos, as sábias e as néscias.
Os elementos envolvidos na parábola nos parece ser bem claro: o noivo é Cristo; o encontro com o noivo trata-se do retorno de Cristo; as virgens são os cristãos. Já as lâmpadas e o óleo foram interpretados de diferentes formas, creio que mais relevante do que destacar o que é significa cada elemento é destacar a questão do estar preparado para o encontro com Cristo.
É interessante observar a questão das virgens: todas, teoricamente eram cristãs, no sentido que estavam esperando pelo noivo. Todas tinham em algum momento suas lâmpadas acesas. Todas em algum momento tinham óleo. A questão qual a diferença entre os dois grupos.
Três pontos podem ser destacados[3]:
  1. Preparação divina para a eternidade: o óleo (Palavra, Batismo, Santa Ceia) e as lâmpadas (boas obras acompanhavam).
  2. Fraqueza humana no curso de vida (dormindo) – mesmo tendo o Espírito Santo – a Palavra – Santo Batismo, não deixa de pecar, prova disto que mesmo as virgens prudentes estavam dormindo.
  3. Conduta cristã em cada hora de decisão: lâmpadas acesas – preparadas para todos os momentos

Introito: O introito do próprio 27 tem como base o salmo 84.1,9-12 e a antífona é Salmo 84.3 [4]. O introito fala do tabernáculo de Deus e neste tempo de reflexão escatológica refletir sobre o tabernáculo eterno do Senhor é muito prudente.  

Coleta do Dia[5]: A coleta traz temas relevantes: 1) suplica pela volta de Cristo; 2) reunião dos cristãos com Cristo; 3) festa do casamento, a festa do Cordeiro.

Gradual: O gradual para estes três últimos domingos do ano eclesiástico, série A, tem como base Apocalipse 7.14b e Salmo 84.5[6]. Dois pontos podem ser destacados: 1) lavar-se no sangue do Santíssimo Cordeiro de Deus e o 2) e bem aventurado que tem sua força em Deus.

Verso: O verso enfatiza o décimo terceiro capítulo de Mateus 25: “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora”.

Prefácio Próprio: Dos prefácios que estão à disposição no livro de liturgia, destaco o comum 1 e comum 3, pois destacam a vida eterna de forma explicita. Comum 1: “pela sua gloriosa ressurreição abriu para nós o caminho da vida sem fim”. Comum 3: “Ressuscitado dos mortos, Ele nos livrou da morte eterna e nos deu vida sem fim”. Vida eterna, dia do Senhor e tons escatológicos cantam numa mesma nota.

ENCAMINHAMENTO HOMILÉTICO:

A vinda de Cristo pode assumir duas perspectivas:
  • Lei: A vinda de Cristo para os não cristãos será um acontecimento funesto. A exemplo do que disse o profeta Amós em sua pregação ao Reino do Norte, onde afirma que o Dia do Senhor será envolto de trevas.
  • Evangelho: já para os cristãos a vinda de Cristo, tanto para os vivos, como para os mortos é grande expectativa, o grande consolo.
  • Tema: Vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora


ESTRUTURA DO SERMÃO:
  • Introdução: final do ano da Igreja / vinda de Cristo
  • Lei: a vinda de Cristo será, para os não fiéis, um dia de grandes terrores – falar sobre o contexto de Amós.
  • Evangelho: O Evangelho vem do Salmo 70, que afirma que Deus, em Cristo, é um auxílio e proteção. Situação dos que morreram em Cristo.
  • Vida Prática: divisão em dois grupos: com Cristo e os sem Cristo. Aos que estão com Cristo fica a lembrete para sempre estarem agarrados com Cristo, a parábola das dez virgens.
  • Conclusão: usar como conclusão a última estrofe do hino 220 do Hinário Luterano.


SERMÃO
Vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora

     Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão com o Espírito Santo seja com todos vós. Amém.

     Dos textos lidos destaco: “Vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora”. Que Deus Espírito Santo guarde estas palavras em vossos corações e mentes para a vida eterna. Amém.

     Oremos: “Gracioso Deus, tu és a fonte de toda graça e misericórdia, suplicamos que fortaleças a nossa fé em Jesus Cristo a fim de que vigiando aguardemos o glorioso retorno de nosso Senhor Jesus Cristo. Pelo mesmo Cristo, nós oramos.”


     Meus caros irmãos, irmãs, prezados ouvintes, caminhamos a passos largos em direção a mais um final do ano da Igreja.  Daqui a três finais de semana estaremos acendendo a primeira vela de Advento, início de um novo ano da Igreja e também preparação para o Santo tempo de Natal.
     Nestes três últimos domingos, dia 09, 16 e 23 de novembro, somos convidados a desviar os nossos olhos do passado, do hoje e olharmos para o futuro, para o dia do Senhor, para o retorno de Cristo.
     O retorno de Cristo é a nossa esperança, pois, será o dia que Ele nos levará para junto de si. Viveremos na presença de Deus Pai. Viveremos com todos aqueles que nos precederam. Não haverá nem morte e nem pranto, pois, Deus secará de nossos olhos toda lágrima. A dor e o sofrimento cessarão, tudo será como no jardim do Éden.
     Será que a vinda de Cristo vai ser um dia maravilhoso? Com toda certeza será. No entanto, também será um dia tenebroso. Como pode ser um dia maravilho e tenebroso? Será um dia de muita alegria para aqueles que confiaram em Jesus e na sua obra. Mas para aqueles que desprezaram a salvação, será o pior dia de suas vidas.
     Vários profetas do Antigo Testamento descrevem este dia com a expressão “Dia do Senhor”, dia em que Deus julgará a todos. Gostaria de chamar atenção para a pregação do Profeta Amós.
     Amós foi enviado da parte de Deus a fim de chamar o povo de Deus ao arrependimento e que eles deixassem os seus caminhos maus e voltassem para os caminhos do SENHOR. Diante os olhos de Deus a situação estava critica.
     Na perspectiva do povo, tudo estava muito bem. O reino prosperava a ponto de torna-se um importante centro comercial. No entanto, a riqueza acumulada não era compartilhada entre todos, ficava nas mãos de poucos. As acusações que foram feitas eram pesadas: juízes eram subornados; os pobres oprimidos, explorados e escravizados. Essa conversa não nos parece familiar?
     No quesito religioso as coisas pareciam bem. Eles não negligenciavam o culto a Deus, pois faziam os sacrifícios que lhes era ordenado. No entanto, não tinham nenhum problema em fazê-lo também para outros deuses. Existia uma miscelânea de deuses e cultos. Essa conversa não nos parece familiar?  Confio em Deus, mas para garantir levarei meu filho na benzedeira. Confio em Deus, mas vou checar meu horóscopo. Como diríamos atualmente: todos os caminhos levam a Deus
     Todas essas condições deram aos líderes da nação uma segurança tão grande, que eles clamavam pelo dia do Senhor. Amós responde: “Ai de vós que desejais o Dia do SENHOR! Para que desejais vós o Dia do SENHOR? É dia de trevas e não de luz. Como se um homem fugisse de diante do leão, e se encontrasse com ele o urso; ou como se, entrando em casa, encostando a mão à parede, fosse mordido de uma cobra.”
     A impressão que temos, ao lermos o livro de Amós, é que Ele estava narrando os tempos de hoje. E o que ele falou é tão válido para hoje como foi no passado. O dia do Senhor será terrível para os que estão fora da graça de Cristo.
     No entanto, O Dia do Senhor para os que estão em Cristo será totalmente diferente. Diante da expectativa deste dia, ouçamos o conselho que o salmista nos deu através do salmo do dia: “Folguem e em ti se rejubilem todos os que te buscam; e os que amam a tua salvação digam sempre: Deus seja magnificado!” Deus seja magnificado porque Ele é o nosso amparo e nossa proteção.
     Deus, em Cristo, é nosso amparo e proteção em todas as situações, seja na vida ou na morte. O texto de Amós fala que o dia do Senhor vai ser trevas para aquele povo que estava longe de Deus. Mas gostaria de destacar as trevas de outro dia, as trevas da Sexta-Feira Santa, que trouxeram vida, pois o Senhor da vida estava dando a sua vida em favor de muitos.
     Tudo começa em Cristo, tudo existe por causa de Cristo. Ele é o teu Salvador, Ele morreu para te dar vida e salvação. As trevas que caíram sobre o mundo na sexta-feira santa foi para que a luz da Páscoa, a luz da vida eterna ficasse mais brilhante.
     A epístola que acabamos de ouvir, 1 Tessalonicenses 4.13-18, fala sobre a situação dos que morrem confiando em Cristo como Salvador. Os Tessalonicenses estavam preocupados com os que morreram antes da volta de Cristo. O que aconteceria com eles? Será que eles perderiam os grandes eventos da Parúsia?  Estudiosos da Bíblia tentam explicar a dúvida dos Tessalonicenses, mas o mais importante que a pergunta, neste caso, é a resposta.
     O Apóstolo Paulo responde que não há problema algum com crentes que morreram antes da Parúsia: “Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor.
     Dada a resposta, Paulo afirma: “Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras”. O Apóstolo Paulo quis dizer calma, tudo está sobre o controle de Deus, que virá tanto para vivos como para os mortos. O importante é estar unido com Cristo aguardando o seu glorioso retorno.
     Enquanto esperamos este glorioso dia, sigamos o conselho que o próprio Jesus nos deixou acerca da vigilância. O Evangelho fala de dez virgens, cada uma com sua lâmpada, estavam à espera do noivo. O noivo é Jesus. As noivas são os cristãos. E lâmpada? E o óleo? Gosto da interpretação de que o óleo é tudo aquilo que nos prepara para o encontro com Cristo: Palavra, Batismo, Santa Ceia.
     Um destaque interessante a ser feito é que as dez dormiram, retratando a fraqueza humana no curso de vida – mesmo tendo o Espírito Santo – a Palavra – Santo Batismo, não se deixa de pecar, prova disto que mesmo as virgens prudentes estavam dormindo.
     Os dois grupos representam cristãos ou as pessoas que se dizem cristãs. As virgens néscias também eram cristas, pelo menos foram. Elas estavam esperando o noivo e as suas lâmpadas tinha óleo. Mas por não vigiar deixaram de lado tudo aquilo que as preparava para ir ao encontro do noivo. Quantas pessoas que por não vigiar deixaram de serem cristãs. Lembrem das pessoas que se confirmaram contigo, todas elas ainda vão a igreja?
     O outro grupo de virgens, as sábias, são um bom exemplo a seguir, pois firmadas na Palavra, nos sacramentos, elas vigiaram, ficaram atentas a tudo aquilo que Deus fez e faz e fará.

     Meus caros irmãos, irmãs, neste tempo que refletimos sobre o final do ano da igreja e sobre o final dos tempos, temos o conselho de Jesus: Vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora.

     De pé cantemos a última estrofe do hino 220:

Quando afinal, em resplendor e glória,
Jesus abrir as portas da mansão,
eu quero estar de joelhos entre os santos,
na mais humilde e vera adoração —
E eu cantarei eternamente ali:
Grandioso és tu, grandioso és tu!
E eu cantarei eternamente ali:
Grandioso és tu, grandioso és tu!


     E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus até o glorioso dia do seu retorno.

Rev. Elissandro Ribeiro da Silva
Pastor na Congregação Evangélica Luterana Paz - Ponta Grossa/PR

________________
[1] Just, Arthur. Heaven on Earth – The Gifts of Christ in the Divine Service. Saint Louis: Concordia Publishing House, 2008, p. 143.
[2] Referência a separação relatada em Mateus 25.31-34. O contexto foi retirado do comentário da Lutheran Study Bible, Lasor e Manual Bíblico.
[3] Material que carece de fonte, somente constava no arquivo o nome Lange.
[4] Antífona (3):  O pardal encontrou casa, e a andorinha, ninho para si, onde acolha os seus filhotes; eu, os teus altares, SENHOR dos Exércitos, Rei meu e Deus meu!
Salmo (1,9-12): Quão amáveis são os teus tabernáculos, SENHOR dos Exércitos! Olha, ó Deus, escudo nosso, e contempla o rosto do teu ungido. Pois um dia nos teus átrios vale mais que mil; prefiro estar à porta da casa do meu Deus, a permanecer nas tendas da perversidade. Porque o SENHOR Deus é sol e escudo; o SENHOR dá graça e glória; nenhum bem sonega aos que andam retamente. Ó SENHOR dos Exércitos, feliz o homem que em ti confia.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora é, e para sempre será de eternidade a eternidade. AmémAntífona (3):  O pardal encontrou casa, e a andorinha, ninho para si, onde acolha os seus filhotes; eu, os teus altares, SENHOR dos Exércitos, Rei meu e Deus meu!

[5] Texto da Coleta: Senhor Deus, Pai Celestial, envia teu Filho para levar para a casa a sua noiva, a igreja, a fim de que, com toda a companhia dos redimidos, possamos finalmente entrar sua festa eterna de casamento; através do mesmo Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre.
[6] Texto do gradual: P: São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro. C: Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados.

14/11/2014

14 de novembro: Comemoração de São Justiniano, Imperador Cristão de Bizâncio


Justiniano era eslavo, provavelmente nascido na região de Escópia (Skopje), em Taurésio (atual Macedônia), no ano 483. Seu nome eslavo era Upravda, que quer dizer "verdade", "justiça". Sucedeu ao trono de seu tio Justino em 527. A grandeza desse imperador é inseparavelmente ligada à sua profunda fé na Ortodoxia; cria e vivia de acordo com sua fé. Moveu guerra contra os bárbaros do Danúbio porque eles castravam os seus cativos. Isso revela o seu elevado sentimento de amor por seus próximos. Justiniano foi feliz e bem sucedido tanto nas guerras quanto em suas obras. Construiu muitas igrejas grandes e belas, das quais a mais bela era a Hagia Sophia (Igreja da Santa Sabedoria de Deus) em Constantinopla (atual Istambul). Compilou, revisou e publicou as Leis de Roma e também baixou pessoalmente muitas leis rigorosas contra a imoralidade e a licenciosidade. Reuniu o V Concílio Ecumênico da Igreja no ano 553 que tratou de ensinos heréticos como o Monofisismo, Nestorianismo e Origenismo. Morreu em paz aos oitenta anos de idade no ano 565 e tomou posse de sua morada no Reino do Rei Celestial.

Justiniano compôs um hino eclesiástico ao nosso Salvador, que é regularmente cantado durante a Divina Liturgia da Igreja Ortodoxa desde o ano de 536:

"Ó Filho Unigênito e Verbo de Deus, sempre imortal, que quisestes para a nossa salvação, encarnar-Vos da Santa Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, e fazer-Vos homem sem deixar de ser Deus; fostes crucificado, ó Cristo, nosso Deus, vencendo a morte pela morte; Vós que sois uma das pessoas da Santíssima Trindade, glorificada com o Pai e o Espírito Santo, salvai-nos."

Comemoração de Justiniano, Imperador Cristão e Confessor de Cristo – 14 de novembro


Justiniano foi imperador do Oriente de 527 a 565 d. C., quando o Império Romano estava em declínio. Com sua formosa e hábil esposa Teodora, devolveu esplendor e majestade à corte bizantina. Durante seu reinado, o Império experimentou um renascimento, devido, em grande parte, à seu ímpeto, inteligência e fortes convicções religiosas. Justiniano também tentou levar unidade a uma igreja dividida. Era um defensor do cristianismo ortodoxo e buscou um acordo entre as partes nas controvérsias cristológicas daquele tempo que estavam debatendo a relação entre as naturezas divina e humana na pessoa de Cristo. O Quinto Concílio Ecumênico de Constantinopla no ano de 533 foi realizado durante o seu reinado e tratou esta controvérsia. Justiniano morreu nos seus oitenta anos, sem ver realizado seu desejo de um império que fosse solidamente cristão e ortodoxo.

ORAÇÃO DO DIA:

Senhor Deus, Pai celestial, por meio da governança de líderes cristãos como o Imperador Justiniano, seu nome é livremente confessado em nossa nação e em todo o mundo. Concede que possamos continuar a escolher líderes fidedignos que lhe servem fielmente em nossa geração e tomar decisões sábias que contribuem para o bem-estar geral do seu povo, através de Jesus Cristo, nosso Senhor.

Fonte: Treasury of Daily Prayer (Concordia Publishing House, 2008. p. 912)

13/11/2014

Oh! grande, infindo e imenso amor

O título original do hino em latim é O amor quam ecstaticus! e vem de um manuscrito de de Karlsruhe do séc. XV, sendo atribuído ao monge Tomás de Kempis (1380-1471) por causa de suas semelhanças com os escritos do movimento Devotio Moderna associado a Kempis. Tomás de Kempis é mais conhecido por seu magnífico livro devocional A Imitação de Cristo.

A tradução para o inglês (O Love, How Deep) foi feita 1852 por Benjamin Webb (1820-1885).  Em 1984 o hino foi traduzido para o português por Leonido Krey (1913-2008). A melodia de ambas as versões é Deo Gacias (séc. XV, Inglaterra).


HINÁRIO LUTERANO, 287 - Oh! grande, infindo e imenso amor

1. Oh! grande, infindo e imenso amor,
amor profundo e divinal:
Jesus, da terra e céu Senhor,
tomou a forma de um mortal!

2. Deus não mandou um querubim
ou qualquer outro embaixador,
enviou seu próprio Filho, a fim
de nos trazer o seu favor.

3. Foi batizado, jejuou,
por nós sofreu tormento e dor,
e vitorioso ele enfrentou
as tentações do Malfeitor.

4. Por nós orou, nos ensinou,
por nós a vida veio dar,
por nós milagres operou,
sem glória própria procurar.

5. Por nós sofreu a vil traição,
açoite e espinhos suportou;
na cruz, sofrendo a maldição,
os seus amados resgatou.

6. Por nós Jesus ressuscitou,
por nós subiu aos altos céus
e o Santo Espírito enviou
a consolar os crentes seus.

7. Por tão profundo e excelso amor
mil graças ao Senhor cantai,
ao Deus triúno dai louvor,
seu santo nome proclamai!

LUTHERAN SERVICE BOOK, 544 - O Love, How Deep

O love, how deep, how broad, how high,
Beyond all thought and fantasy,
That God, the Son of God, should take
Our mortal form for mortals’ sake!

He sent no angel to our race,
Of higher or of lower place,
But wore the robe of human frame,
And to this world Himself He came.

For us baptized, for us He bore
His holy fast and hungered sore;
For us temptation sharp He knew;
For us the tempter overthrew.

For us He prayed; for us He taught;
For us His daily works He wrought,
By words and signs and actions thus
Still seeking not Himself but us.

For us by wickedness betrayed,
For us, in crown of thorns arrayed,
He bore the shameful cross and death;
For us He gave His dying breath.

For us He rose from death again;
For us He went on high to reign;
For us He sent His Spirit here
To guide, to strengthen, and to cheer.

All glory to our Lord and God
For love so deep, so high, so broad;
The Trinity whom we adore
Forever and forevermore.

Alegre-se com a dádiva de Deus da hinódia cristã ao ouvir este hino entoado na Conferência Crucified 2014 de jovens luteranos dos EUA:

11/11/2014

Comemoração de São Martinho de Tours, Pastor – 11 de novembro


Nascido em uma família pagã na Hungria, antiga Panônia, por volta do ano 316 d. C., Martinho cresceu na Lombardia (Itália). Vindo à fé cristã na juventude, ele iniciou uma carreira no exército romano. Mas sentindo um chamado para uma vocação na igreja, Martinho deixou o exército e tornou-se monge, afirmando ser “soldado de Cristo”. Consequentemente, Martinho foi nomeado bispo de Tours, na Gália ocidental (França). Ele é lembrado por seu estilo de vida simples e sua determinação em compartilhar o Evangelho por todas as regiões rurais da Gália. Casualmente, no Dia de São Martinho, em 1483, o filho de Hans e Margarette Lutero, com apenas um dia de idade, foi batizado e recebeu o nome de “Martinho” Lutero.

LEITURAS:


† Salmo 15
† Isaías 58.6-12
† Gálatas 6.1-2
† S. Lucas 18.18-30


ORAÇÃO DO DIA:

Senhor Deus dos Exércitos, teu servo Martinho, o soldado, incorporou o espírito de sacrifício. Ele tornou-se bispo na tua Igreja para defender a fé católica. Concede-nos a graça de seguir os seus passos para que quando nosso Senhor retornar possamos estar trajados com a veste batismal da justiça e da paz; através de Jesus Cristo, teu Filho, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.


Fonte: Treasury of Daily Prayer (St. Louis: Concordia Publishing House, 2008. p. 903)

08/11/2014

Comemoração de Johannes von Staupitz, Padre Confessor de Lutero – 8 de novembro

“Lutero e Staupitz no jardim do mosteiro de Erfurt, em 1512” (entre 1800 e 1830)

Johannes von Staupitz (c. 1469-1524), vigário-geral da Ordem Agostiniana na Alemanha e amigo de Martinho Lutero, nasceu na Saxônia. Estudou nas universidades de Leipzig e Colônia e prestou serviços na faculdade em Colônia. Em 1503, foi chamado por Frederico, o Sábio, para ser reitor da faculdade de teologia na recém-fundada Universidade de Wittenberg. Lá Staupitz incentivou Lutero a obter um doutorado em teologia e nomeou Lutero como seu sucessor para professor de Bíblia na universidade. Durante as primeiras lutas de Lutero para compreender a graça de Deus, foi Staupitz quem aconselhou Lutero a focar em Cristo e não em si próprio.

ORAÇÃO DO DIA:


Todo-Poderoso, eterno Deus, por nossos muitos pecados merecemos justamente a condenação eterna. Em tua misericórdia, enviaste teu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo, que conquistou para nós o perdão dos pecados e a salvação eterna. Concede-nos uma confissão verdadeira, para que mortos para o pecado, possamos ouvir as doces palavras de Absolvição de nosso confessor, como Lutero ouviu de seu pastor Johannes von Staupitz, e sermos libertados de todos os nossos pecados, através de Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

Fonte: Treasury of Daily Prayer (Concordia Publishing House, 2008. p. 893)

07/11/2014

Comemoração de São Willibrord de Utrecht, Missionário – 7 de novembro

“São Willibrord pregando aos frísios”, Pieter Dierkx (1871-1950)
Hoje damos graças a Deus por seu servo e missionário Willibrord que evangelizou os povos dos Países Baixos. Esta comemoração chega até nós através do calendário santoral do Pastor Wilhelm Loehe (1808-1872).

Willibrord nasceu em Nortúmbria (Inglaterra) por volta de 658 e estudou na França e na Irlanda. Em 690, os cristãos anglo-saxões, cristianizados há um século, enviaram Willibrord com uma dúzia de companheiros para evangelizar as tribos germânicas do norte, na região da Frísia, que compreendia os atuais Países Baixos e ainda Flandres e Luxemburgo. Em 695, Willibrord foi consagrado bispo dos frísios, estabelecendo-se em Utrecht, onde continuou a trabalhar incansavelmente para a organização da Igreja e propagação do Evangelho naquelas terras. Willibrord enfrentou até perigo de morte ao destruir ídolos pagãos da região. Suas viagens missionárias alcançaram até a Dinamarca. Ele repousou em paz, em 7 de novembro de 739, em Echternach (localizada na atual Luxemburgo). Por seus esforços missionários, Willibrord é chamado de “Apóstolo da Frísia”.

LEITURAS:

† Salmo 115.9-15
† Isaías 55.1-5
† Atos 1.1-9
† S. Lucas 10.1-9


ORAÇÃO DO DIA:

Ó Senhor, nosso Deus, que chama quem tu quer e envia para onde tu escolhe. Damos graças a ti por enviar teu servo Willibrord para ser um apóstolo para os Países Baixos, para convertê-los da adoração de ídolos para servir a ti, o Deus vivo; e suplicamos-te que nos preserve da tentação de trocar a perfeita liberdade de teu serviço pela servidão a falsos deuses e ídolos de nossa própria criação; por Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

06/11/2014

Sermão para o Dia de Todos os Santos e Finados

Compartilho uma excelente homilia de meu colega Rev. Elissandro Silva, pastor na Igreja Luterana Paz em Ponta Grossa, PR, por ocasião do Dia de Todos os Santos e Finados. É consolo que brota da Palavra de Deus a todos os corações enlutados e também a todos os santos que ainda vivem neste mundo a tensão "simul iustus et peccator".


Sermão para o Dia de Todos os Santos e Finados

    Das leituras destaco os seguintes versículos: “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida”. Que Deus Espírito Santo guarde estas palavras em vossas mentes e corações para a vida eterna. Amém.

    Oremos: Gracioso Deus, somos estrangeiros e peregrinos neste mundo, ajuda-nos, por meio da verdadeira fé, a vivermos uma vida agradável a ti e a nos prepararmos para a vida vindoura e a fazermos a obra que nos confiaste enquanto é dia, antes que venha a noite, quando ninguém pode trabalhar. E, quando vier a nossa hora derradeira, sustenta-nos com teu poder e recebe-nos no teu Reino Celestial. Amém.

    Meus caros irmãos e irmãs, prezados amigos visitantes, este final de semana temos temas importantes para lembrar: no sábado, Dia de Todos os Santos e no domingo, Finados. Alguns podem dizer, mas isto não são celebrações da Igreja Católica Apostólica Romana? Também são, mas não são exclusividades de nossos irmãos católicos romanos.

    Estas datas são para nós, luteranos, motivo de grande conforto e consolo diante das adversidades da vida, especialmente diante da morte. Nestas duas datas celebramos os santos de nosso Senhor Jesus Cristo. Primeiramente é importante destacar o que nós consideramos como santo. Em nossa perspectiva, santo é todo aquele que confiou e que confia em Jesus como Salvador. Quem de vocês confia em Jesus como Salvador? Parabéns, vocês são estes santos que celebramos.

    Neste dia, gostaria de ressaltar três consequências de ser um santo de Cristo: a primeira consequência trata dos santos de Cristo que estão vivos, referência ao dia de todos os Santos; a segunda e a terceira consequência trata dos santos de Cristo que já estão na glória eterna em referência ao dia de finados.

    A primeira consequência trata dos santos de Cristo que estão vivos, referência ao dia de todos os Santos. Muitas vezes nos vamos a igreja, sentamos, ouvimos, cantamos, oramos, etc. Nós nos acostumamos a ver os amigos da congregação e temos a impressão que a Igreja de Cristo é composta somente por aquelas pessoas que vemos.  Não, isto não é verdade. Nós pertencemos a algo muito maior, fazemos parte do corpo de Cristo que é formado por todos aqueles que confiaram e confiam em Jesus desde que Gênesis, desde o princípio da história.

    O culto que rendemos a Deus não se restringe aos irmãos da fé que vemos, mas nos juntamos a todos os santos de todos os lugares de todos os tempos para receber de Deus todos os dons e dádivas que Ele tem para nos conceder. Tem uma das orações que o pastor canta na liturgia da Santa Ceia que revela esta realidade da Igreja de todos os tempos. 

    A liturgia da Santa Ceia diz: “Portanto, com os anjos e arcanjos e com toda companhia celeste louvamos e magnificamos o teu glorioso nome”. E depois de concluir esta oração, todos os santos que estão aqui neste momento juntam as suas vozes com os santos de Cristo que já estão na eternidade e alta voz dizem: “Santo, santo, santo é o Senhor Deus dos Exércitos..."

    Quando Jesus abre a janela do céu para o Apóstolo João vemos muitas cenas belíssimas e uma delas é visão que Deus nos concede de seu trono. E o que temos lá? Nós vemos os santos do Senhor proclamando, cantando: Santo, Santo, Santo.

    E por pertencer ao esse grupo, por sermos os santos Cristo neste mundo, temos a certeza que o Deus Triúno está conosco. Temos a certeza do perdão dos pecados. Temos a certeza da paz, pois, é Cristo que nos concede. Ser um santo de Cristo, confiar nEle como meu Salvador, influência o futuro. Sim, influencia, pois, nos abre as portas celestiais, mas especialmente faz a diferença no tempo que se chama hoje.

    A segunda e a terceira consequência  tratam dos santos de Cristo que já estão na glória eterna em referência ao dia de finados.

    A segunda consequência é sobre o que seria uma morte feliz e bem aventurada. Diante da morte, diante do grito de silêncio que ela traz, gostaria de fazer uma pergunta: Existe morte feliz e bem aventurada? Talvez alguns vão dizer que uma morte feliz e bem aventurada é uma morte sem dor. Realmente pode ser uma boa resposta, morrer sem dor e nem sofrimento.

    Gostaria de destacar a morte do primeiro mártir da era cristã: Santo Estevão. Ele teve a morte mais gloriosa e feliz que alguém poderia ter. sobre a morte de Santo Estêvão, o Evangelista Lucas escreve em Atos: “Estêvão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que estava à sua direita, e disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à destra de Deus.

    O primeiro mártir cristão teve a morte mais feliz e bem aventurada, pois, ele morreu confiando e crendo em Jesus. A morte dele foi fácil e sem dor? Não, ele teve uma morte muito dolorida, ele foi apedrejado. Apesar de tudo ele teve morte feliz e bem aventura, pois, viu a glória de Deus e Cristo lhe esperando.

    Podemos pedir para que Deus nos conceda uma morte sem dor? Sim, é claro que podemos, mas especialmente deveríamos pedir para morrermos agarrados a Cristo, agarrados a sua santa Cristo, agarrados com aquilo que Cristo fez por nós. Quem morre confiando em Jesus, tem uma morte feliz e bem aventurada independente se for com dor ou sem dor.
   
    A terceira consequência que quero destacar é sobre quem tem a palavra final. Você já viu duas pessoas discutindo? Ou já entrou numa discussão? Qual é objetivo dos participantes? O objetivo é dizer a última palavra e mostrar que sempre esteve certo. A morte é algo tão trágico em nossas vidas que quando deparamos com ela imaginamos que ela deu a palavra final.

    Aqui está a diferença em ser um santo de Cristo, em confiar em Jesus como Salvador: quem tem a última palavra não é a morte, muito pelo contrário, quem tem a última Palavra é Cristo. O Evangelho de hoje nos afirma: “quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.” (Jo 5.24). No último culto, culto que foi celebrado a reforma, falei que Cristo é a Palavra de Deus que se fez carne. E ouvir Cristo, confiar nele de todo o coração, faz diferença em nossas vidas. Cristo tem a última palavra e Ele diz: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crer em mim, ainda que esteja morto, viverá.”

    Normalmente o pastor luterano vai com a família enlutada até a cova. Ele vai junto à cova para nos fazer um convite, aliás, um convite muito especial. Ele nos convida a fecharmos os nossos ouvidos para o grito silencioso da morte e ouvirmos a Palavra final de Cristo. Diante da cova, o pastor convida a desviarmos os nossos olhares do que vemos e colocarmos os nossos olhares para a esperança de todos os santos: a ressurreição.

    O pastor dirá as seguintes palavras: “Nada trouxemos a este mundo, e nada levaremos dele. O Senhor o deu, e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor. 'Não queremos, porém irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança. Pois se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará juntamente em sua companhia os que dormem' (1 Tessalonicenses 4.13,14). Visto que o Deus onipotente, em sua sábia providência, decidiu levar deste mundo a alma de seu servo falecido (nome da pessoa), entregamos seu corpo para ser sepultado. Terra à terra, cinza à cinza, pó ao pó – na esperança da ressurreição para a vida eterna, por nosso Senhor Jesus Cristo, que transformará nosso corpo mortal para torná-lo semelhante ao seu corpo glorioso, segundo o seu poder. Deus Pai que criou este corpo; Deus Filho, que com seu sangue redimiu este corpo, junto com a alma; Deus Espírito Santo, que pelo batismo santificou este corpo para ser seu templo, guarde estes restos mortais para o dia da ressurreição! Guarde estes restos mortais para ressurreição: Que palavras maravilhosas ouvimos. A morte não tem a última palavra, quem tem é Cristo e Ele diz: 'Eu sou a ressurreição e a vida'".

    Neste final de semana celebramos os santos de Cristo. Ou seja, celebramos todos aqueles que confiaram em Jesus como Salvador. Aos santos que estão vivos, lembre-se nós somos o corpo de Cristo, nós Cristãos somos a Igreja de Cristo. Aos santos que já estão com Cristo, afirmamos e confessamos que Cristo tem a Palavra final sobre a morte, pois, Ele é Senhor e doador da vida. Amém.

    Que a paz de Deus que excede todo entendimento humano guarde as vossas mentes e corações para a vida eterna. Amém.

Rev. Elissandro Ribeiro da Silva
Congregação Evangélica Luterana Paz - Ponta Grossa/PR

Liturgia para o Dia de Todos os Santos e Finados:


01/11/2014

Evangelho do Dia de Todos os Santos

“O Sermão de Jesus no Monte”, de Franz Xaver Kirchebner (1736-1815) na Igreja Paroquial de Ortisei (St.Ulrich), na Itália.
Evangelho segundo S. Mateus 5.1-12

1 Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte, e, como se assentasse, aproximaram-se os seus discípulos;
2 e ele passou a ensiná-los, dizendo:
3 Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.
4 Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.
5 Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.
6 Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos.
7 Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
8 Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.
9 Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.
10 Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.
11 Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós.
12 Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.

- Bíblia Sagrada J. F. de Almeida Revista e Atualizada (SBB)

Dia de Todos os Santos – 1 de novembro de 2014

"A adoração do Cordeiro Místico" (detalhe do retábulo do altar de Gante, Bélgica, 1432), Jan van Eyck (c. 1390-1441)
Os santos são abençoados na presença eterna de Cristo

"Uma grande multidão... de todas as nações, tribos, povos e línguas" clama: "Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação" (Ap 7.9-10). Os santos cheios de fé de cada lugar e tempo com vozes unidas magnificam eternamente o Cordeiro de Deus. Como seus filhos amados, nós também "haveremos de vê-lo como Ele é" (1 Jo 3.2). Vamos nos juntar com a multidão de anjos e uma miríade de santos que "servem de dia e de noite no seu santuário" (Ap 7.15). Em nossa tensão terrena vacilando entre santo e pecador, fé e dúvida, sagrado e profano, nós buscamos sinceramente a Jesus para acalmar nossos medos, confortar os nossos espíritos e perdoa os nossos pecados. O Espírito Santo, por meio da fé em Cristo, nos impulsiona para a frente em direção ao nosso eterno lar, fortalecendo-nos na Palavra e Sacramentos. Em meio à nossa luta constante como crentes, necessitamos ser abençoados. E assim somos. Os pobres de espírito, os mansos, os famintos, os sedentos, os misericordiosos, os puros de coração e os perseguidos são todos abençoados, e todos nós certamente vamos herdar o reino dos céus (Mt 5.1-12).

Cor litúrgica: Branca

LEITURAS:

† Primeira Leitura: Apocalipse 7.(2-8) 9-17
† Salmo: Salmo 149 (antífona v. 4)
† Epístola: 1 João 3.1-3
† Santo Evangelho: S. Mateus 5.1-12


ORAÇÃO DO DIA:


Todo-poderoso e eterno Deus, tu uniste teu povo fiel de todos os tempos e lugares numa santa comunhão, o corpo místico de teu Filho Jesus Cristo. Concede-nos seguir teus bem-aventurados santos em toda virtude e vida piedosa, para que juntamente com eles possamos alcançar as indescritíveis alegrias que tu tens preparado para aqueles que te amam; através de Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.